terça-feira, 23 de abril de 2013


O perigo dos "Antitóxicos"


Recentemente assisti a uma brilhante palestra da Prof Christine Martins,da UnB,sobre hepatopatias em felinos,na qual alertara sobre a armadilha que muitos clínicos caem: o conto dos "antitóxicos",aqueles polivitamínicos que prometem verdadeiros milagres,mas que na verdade,são completamente contra-indicados em distúrbios hepáticos,principalmente os tóxicos.
Um felino hepatopata,seja crônico ou agudo,é um paciente de risco,qualquer medicação ou procedimento deve ser subsidiado por artigos e pesquisas sérias e de muita responsabilidade.A "onda" dos antitóxicos adveio da medicina humana,onde vários produtos são o topo da lucratividade de vários laboratórios,mas de uma inocuidade e até mesmo malefícios impressionantes.
A maioria destes medicamentos veterinários são compostos por vitaminas do complexo B,carboidratos e a METIONINA.Esta ,em um fígado normal, é fundamental para a atividade hepatocelular,porém em um orgão já insuficiente ou doente se transforma em um tóxico.
A explicação para essa duas facetas da metionina está em seu metabolismo e ação nos hepatócitos.A metionina é fundamental para a formação do SAME(S-AdenosilMetionina).Este é
imprescindível para o metabolismo normal de todas as células do organismo,mas com importância ainda maior nos hepatócitos.É responsável por reações de metilação,trans-sulfuração e aminopropilação.Por essas reações o fígado é capaz de metabolizar a maioria dos compostos,como medicamentos,tóxicos,hormônios;pela metilação ele forma fosfolipídeos e outros componentes de membrana,além de aminoácidos,proteínas e neurotransmissores.O SAME é o precursor do Glutation,um poderoso anti-oxidante intra-celular,responsável pela proteção contra vários tipos de injúrias celulares.
O grande problema é que para ocorrer essa transformação da metionina em SAME é necessária a catalização pela enzima Adomet-sintetase, e esta enzima está inibida em quadros de intoxicação aguda ou insuficiência hepática crônica.Portanto, a suplementação com metionina nestes casos só piora o quadro,podendo levar o animal a uma encefalopatia hepática,pois não há como metabolizá-la.A indicação é usar o próprio SAME e não a sua precursora.
O que mais me assusta é a quantidade de medicamentos veterinários à base de metionina e com indicação para intoxicações,danos hepáticos e até processos infecciosos.Enquanto que o SAME e outros fármacos como a Silimarina, podem ser encontrados no exterior,com preparação veterinária,prontos para o uso em nossos pacientes.
Portanto,nada de" colorir" os fluidos da terapêutica em nossos pacientes felinos,eles agradecem!

domingo, 11 de dezembro de 2011

O chocolate é venenoso para os cães?

Você talvez já tenha ouvido falar que o chocolate mata cachorros. Isso faz sentido?

Se eu posso comer chocolate, por que meu cachorro não pode?

Acontece que um composto químico chamado teobromina, existente no chocolate, é um problema para os cachorros. A teobromina é semelhante à cafeína. A teobromina é tóxica para um cachorro quando ele ingere de 100 a 150 mg por quilograma de seu peso corporal.

O fato é que envenenamento por chocolate não é tão incomum quanto parece. Para um ser humano, a cafeína é tóxica em níveis de 150 miligramas por quilograma de peso corporal. O mesmo vale para cachorros! Nós geralmente pesamos muito mais do que cachorros, mas não é tão difícil crianças pequenas terem problemas com cafeína ou chocolate se exagerarem na dose. Os bebês são especialmente vulneráveis porque não eliminam a cafeína da corrente sanguínea tão rapidamente quanto os adultos. Assim, se você suspeitar que seu cão comeu uma quantidade excessiva de chocolate, é melhor procurar um veterinário.

Música para relaxar... os gatos

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Um estudo mostrou que os gatos se tornam menos estressados quando ouvem uma música relaxante. A experiência foi feita com animais atendidos em um consultório veterinário do País de Gales.

Sian Barr, estudante de veterinária, verificou que quando eram tocadas músicas de meditação e yoga, os felinos se acalmaram e começaram a respirar mais lentamente. Barr, acabou de se formar e teve sua pesquisa aclamada durante a formatura.

"O estresse em pequenas doses pode ser algo bom, como por exemplo, quando o gato está com fome e precisa procurar por comida, ele acaba fazendo isso melhor. Mas estar estressado, num local onde ele tem tudo a disposição, não faz sentido", explicou Barr.

"Estar preso em gaiolas, os deixa muito estressados, mas isso faz mal, eles precisam estar calmos", prosseguiu.

De acorco com Sian, com os gatos mais calmos a capacidade de cura aumenta muito. A jovem de 21 anos avaliou os gatos, checando seus olhos e ouvidos, além do nível de respiração, antes e depois das músicas.

"Quando comparei os resultados percebi que a música tinha um efeito enorme sobre as taxas de respiração sobre os gatos que ouviram as músicas", comemorou Barr.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Não é gordura, é músculo!" (Bolinha, amigo da Luluzinha)

"Não sou muito gordo, sou é pouco alto" (Garfield)

"Isto não é gordura, é excesso de gostosura" (uma garota de curvas generosas do interior paulista nos anos 1970)

Dá para notar que não faltam citações onde gordos se defendem e são defendidos. Não vejo problema em ser gordo se esse for o próprio biótipo da pessoa (ou do canino) e se ela estiver dentro dos limites da boa saúde, conforme inclusive enaltecido em canções de artistas diversos como o bluesman Willie Dixon ("fui feito assim, não me chame de gordo/porque fui feito pra conforto, não pra rapidez"), Roberto Carlos ("Gosto de me encostar nesse seu decote quando te abraço/de ter onde pegar nessa maciez enquanto te amasso"), este que vos escreve ("não tema que teu visual não vá me agradar/pois eu tenho braços longos só pra te abraçar/gorda, I love you so") e o parceiro e amigo Wilson Rocha ("a cama tem que ranger/sei que os vizinhos reclamam/mas obeso também é gente/os gordos também amam").

O problema é se o ser humano ou canino não estiver confortável consigo mesmo e correr os riscos - alguns graves - da obesidade. Vamos então identificar e corrigir tais riscos.

Seu cão é obeso ou apenas fofinho?

De um modo geral, o canino é saudável e está no peso certo - nem Rei Momo nem top-model - se suas costelas puderem ser facilmente apalpáveis, houver apenas uma fina camada de gordura sobre a pele, sua cintura for bem visível e sua barriga não for muito proeminente.

Os perigos causados pela obesidade incluem problemas respiratórios, sofrimento em clima quente, osteoartrite, pancreatite, diabete, menor resistência em caso de cirurgias, e sobrecarga para o coração, pulmões, fígado, rins e juntas do peludo.

Muitas vezes ele já nasce com alguns problemas (diabete, baixo metabolismo, hipertireoidismo) que o predispõem à obesidade. A pele do cão obeso pode ficar seca - mas atenção para não confundir com alergias e outros problemas de pele que o bicho possa ter.


Em caso de dúvida, leve o cão ao veterinário; afinal, como já foi dito, obesidade não aparece de repente - nem se cura de repente.

Causas da obesidade canina

Temos as causas inatas já citadas, como hipertireoidismo e baixo metabolismo, e algumas raças têm maior tendência à obesidade e devem ser bem vigiadas neste sentido, como Retriever, Beagle, Cocker Spaniel, Shetland Sheepdog e os "salsichas" como Basset Hound e Dachshund.

Em meu texto sobre mitos caninos, um que não mencionei é o de que cão castrado engorda; na verdade, ele pode acumular gordura por falta de exercício e excesso de calorias durante o pós-operatório, mas não devido à castração em si.

A causa mais óbvia de obesidade canina - e, justamente por ser óbvia, é a mais difícil de se notar - é o bicho estar comendo demais. Alguns cães são realmente doidos para comer; mal o dono termina de encher o pratinho de ração eles o esvaziam várias vezes seguidas.

Por sua vez, qual é a causa desta causa, ou seja, por que um cão come demais? Pode ser devido a metabolismo alto, verminoses, carência afetiva, ansiedade, tentativa de chamar atenção, ração pouco nutritiva, medo de ficar sem comida caso haja mais de um cão, ou porque esqueceram de alimentá-lo por tempo longo demais - ou, ainda, simplesmente porque o dono também come demais e faz questão de que seus bichos sigam-lhe o exemplo, especialmente no Natal, a data máxima da obesidade, orgia pagã de perus e panetones em clima mais ou menos cristão.

Para citar mais uma vez Roberto Carlos, "tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda". O cão costuma ser igual ao dono: ativo ou preguiçoso, esbelto ou obeso. Nos EUA, cujo presidente às vezes parece não ser Barack Obama e seu "Yes I Can", mas sim Ronald McDonald e seu "Super Size Me", não surpreende que haja cada vez mais obesos humanos - e cerca de 25% dos caninos! "Comer demais" não implica só quantidade, mas também qualidade (ou falta dela), como rações ou comida muito ricas em gordura e pobres e fibras, além de se ir catando sobras e petiscos a torto e a direito.

Por sinal, a primeira coisa que li sobre alimentação canina, lá por volta de 1968, foi justamente "antes errar dando comida de menos que de mais". E pratinho vazio não significa necessariamente que o canino esteja à beira da inanição; ele pode tê-lo esvaziado há minutos e comer mais, agora, seria gula - ou seja, desnecessário e talvez até prejudicial à saúde se houver problemas como excesso de gorduras ou falta de fibras e vitaminas. Você só deverá manter o pratinho do peludo bem cheio se precisar se ausentar por um período mais longo que o normal.

Prevenção e cura

Sempre comparo caninos a crianças; desta vez compararei a pessoas de qualquer idade. O melhor regime e prevenção para todos é o famoso FAB, "fechar a boca" - e, no caso do cão, ignorar-lhe a boca aberta fora de hora. Se ele vier filar boia durante as refeições dos humanos da casa, não se deixe enganar por aqueles olhos pidões de quem não come há meses; dê-lhe no máximo uma lasca praticamente infinitesimal.

Vigie bem o que o canino procura ou ganha de terceiros para comer, especialmente se ele é daqueles que fuçam a mesa e tudo o mais à procura de comida. Não se deixe enganar também pelo pratinho vazio, como já afirmei. Acostume o cão a petiscos saudáveis e de baixo teor calórico, tais como bananas, cenouras ou brócolis. Se você, ao passear com o peludo, não resistir a repartir com ele seu sanduíche ou sorvete, lembre-se de compensar com uma próxima refeição menos farta.

Nada de ficar só no "come-e-dorme": exercite o cão com caminhadas, passeios, brincadeiras movimentadas, ordens de comando, fazendo-o gastar a energia e calorias que acumulou. Já comentei neste espaço que "melhor que um cão, só muitos". Se um cão for deixado sozinho, o mais provável é que ficará paradão, jacarezando ao sol ou encaramujado num canto, porém dois cães se motivarão mutuamente para se exercitarem e gastarem energia.

Já afirmei, e nunca é demais repetir: havendo qualquer dúvida sobre a saúde e dieta de seu cão, não hesite em levá-lo ao veterinário. E, do mesmo jeito que a canção de Roberto pergunta "quem foi que disse que tem que ser magra pra ser formosa?", vale complementar dizendo que canino não precisa ser obeso para ser fofinho. Não precisa e nem deve. Peludo sim, banhudo não!

Educando os cães.

Aqui está mais um detalhe para a coleção de similaridades entre caninos e crianças. Do mesmo modo que ensinamos nossas crianças a falar e quando falar, nossos peludos devem aprender a latir e a não latir conforme a hora - especialmente no período da lei do silêncio, quando a vizinhança quer dormir ou simplesmente sossego.

Isso mesmo, educar o cão para não ser barulhento demais e não incomodar vizinhos é mais um dos aspectos da posse responsável. Treinar o cão para não latir demais sem motivo exige algum tempo, dedicação, paciência e atenção a cada caso, mas o resultado vale a pena para todos, inclusive o próprio cão, e aqui vai um guia geral.

Por que o cão late

Cada bicho se comunica, naturalmente, a seu modo: o cão late, o gato mia, o pássaro pia, a vaca muge e assim por diante. Tal como ocorre com as pessoas, uns cães tendem a latir menos que outros. Cada raça de cão tem sua frequência 'latedora', desde os lacônicos Rottweiler, Akita e Golden Retriever a Schnauzer, Beagle e Fox Terrier e outros que falam pelos quatro cotovelos.

Já os adoráveis vira-latas achados na rua, pela sua própria miscigenação, além da possibilidade de traumas passados na rua ou com donos anteriores, podem ser uma caixinha de surpresas - ou, conforme o caso, não uma caixinha, mas uma verdadeira beatbox - e precisam ser educados com mais afinco para não latirem à toa.

Muitas vezes, o peludo sai latindo porque deseja chamar atenção para alguma mudança ou problema: ou a ração acabou, ou faz tempo que ele não passeia e brinca ou simplesmente ele se sente sozinho. Como se diz, ele percebeu está numa situação em que levará mais vantagem latindo que ficando quieto.

Nesses casos, é só resolver o problema e a latição deverá sumir. É bom observar se o cão não está se queixando de alguma dor ou outro problema de saúde; se houver dúvida, passe no veterinário.

Educando o cão
Uma dica é associar a ordem de comando a um castigo leve (ou uma consequência), se ele desobedecer; e a uma recompensa quando ele obedece. O comando de "quieto!", por si só, pode não resolver. Neste caso, borrife líquido contra mau hálito na boca dele, dado que a maioria dos cães não gosta do sabor, cheiro ou mesmo do ruído deste spray, eles irão associar a palavra "quieto!" à consequência desagradável de ter de aguentá-lo e perceberão que é melhor deixarem de latir à toa. (Na falta de borrifador, alguns treinadores recomendam dar um tapinha bem de leve no focinho do cão - mas sem machucá-lo, apenas incomodá-lo o suficiente para ele entender que fazer o que não deve leva a receber algo de que não goste.)

Obviamente, repita o comando até ele aprender. Quando ele obedecer ao comando de "quieto!" sem precisar da borrifada, dê-lhe um petisco ou brinquedo - isso mesmo, ele aprenderá que obedecer rende prêmios.

Pode-se também usar o truque oposto: ensinar o cão a latir sob comando. Espere até ele latir; quando ele latir, diga "Muito bom!" e dê-lhe uma recompensa - daí ele vai esperar seu comando para latir e, claro, ser premiado.

Educação à distância - ou quase
Se você estiver longe do cão e ele começar a latir sem motivo, não o chame para ir até onde você estiver; vá você até onde ele está, para observar as circunstâncias que causam a latição e treiná-lo imediatamente após ele latir, de modo que o peludo tenha absoluta certeza da relação entre a "coisa errada" e o castigo.

Pode acontecer de, se você precisar sair, o cão se sentir livre o suficiente para sair latindo. Está aí um bom desafio: treinar o cão para não latir enquanto você estiver ausente. Use então outro velho truque. Saia de casa à hora de costume e... volte para casa de repente e sem fazer barulho. Fique montando campana até o cão começar a latir sem motivo; então entre em casa, repreenda-o e vá embora.

Caso ele demore a latir, você pode agilizar o processo provocando ruídos que seguramente façam o peludo latir, como bater a porta do carro. Se você trabalha perto de casa, peça a vizinhos que avisem se o bicho começar a latir. Caso você fique mais longe, outra alternativa é pedir a alguém de confiança para repreender o cão.

Ah, sim: se o cão for muito bravo, o mais importante, e o mais seguro para você, será tratar o temperamento dele antes de pensar em monitorar seus latidos.

Coleiras antilatido
Já falamos aqui de óculos para cães com problemas visuais. Coleiras anti-ruído também dão uma boa ajuda high-tech no bem-estar do peludo - e também dos vizinhos e familiares.

A voz do canino produz vibração que aciona um som em volume inofensivo, porém suficiente para irritar o cão o bastante para ele associar latidos fora de hora a sensações desagradáveis. (Há uma variação que emite choques de baixa voltagem, mas emissão de som me parece bem menos "cruel".)

Estas coleiras são leves (cerca de 60 gramas) e podem ser usadas pelo bicho o dia todo, além de emitir sinais sonoros audíveis pelos humanos (e também sinais luminosos) para alertar sobre hora de troca de baterias (e até sobre a presença do peludo quando ele estiver mais quietinho). Estas coleiras ajudam muito, mas não espere milagres: poderão demorar alguns dias até o cão, se for daqueles que latem mais que a boca, perceber os efeitos do sinal sonoro da coleira. Eu já disse e direi de novo: paciência e atenção são essenciais e valem a pena.

Temos ainda o treinamento de guarda, que ensina o cão a latir somente para determinadas coisas e pessoas, mas já é outro assunto e fica para outra ocasião. Por ora, não precisamos imitar os críticos de arte que, como dizia o saudoso Procópio Ferreira, "são pessoas que querem ensinar cachorro a latir"; a partir do momento em que cachorros convivem com humanos, é só questão de os cachorros aprenderem quando latir (e dos humanos aprenderem como e quando falar).

O LUGAR CERTO PARA FAZER AS NECESSIDADES DO SEU BICHINHO!!!

Todo novo morador precisa aprender as regras da casa, e uma delas é: humanos utilizam vasos sanitários, comadres e penicos, gatos têm suas caixinhas de areia e caninos ganham um canto no quintal ou área de serviço.

Aqui vai um guia geral para ensinar o cão a fazer suas necessidades no lugar certo - o que não é difícil, embora possa exigir um pouco mais de tempo se ele for adulto e acabar de chegar de outra casa ou mesmo da rua.

O lugar certo
Primeira coisa: designar o local - ou locais, se a casa for grande - onde o peludo deverá se aliviar. De preferência, deve ser demarcado com jornal, tapetinho higiênico ou outra coisa que absorva o xixi, mas de tamanho adequado ao porte do peludo - e o mais longe possível do local onde ficarão os pratinhos de ração e água. Se for o caso, um trecho da grama do jardim também serve. Obviamente, não se esqueça de limpar o local ao menos uma vez por dia.

O especialista em comportamento animal Alexandre Rossi lembra que o cão costuma fazer cocô e xixi em três momentos: logo que acorda (sozinho ou despertado por outros), logo após comer e logo antes de descansar; e os primeiros sinais que o cão dá quando quer se aliviar são ficar cheirando os cantos, afastar-se, rodopiar e abrir levemente as patas.

Se você perceber algum destes sinais, pegue o filhotinho no colo e leve-o ao "banheirinho" dele. Não o deixe sozinho lá, espere até ele fazer as necessidades e então recompense-o com carinho e um petisco - assim ele aprenderá que se fizer cocô e xixi no lugar certo ele receberá algo de que gosta, ou seja, um prêmio.

Não tente apressar a natureza dando o petisco ao cão antes de ele terminar - afinal de contas, quem é que gosta de ser perturbado quando está concentrado no banheiro? Se após algum tempo - não tanto tempo assim, apenas cerca de dois minutos - o cão não tiver feito nada, não force: leve-o para longe do banheirinho e espere mais um pouco ou até o cão der sinais de que deseja se aliviar.

Nem pense em deixar o cão sozinho ou repreendê-lo no banheiro, para evitar que ele associe o local a coisas desagradáveis como solidão ou broncas e não queira mais voltar para lá. Não nos esqueçamos de que os cães pensam em termos de associar atividades a prazer ou desprazer. Ao se sentirem aliviados após fazer cocô e xixi, alguns peludos poderão associar o banheirinho a conforto e prazer e usá-lo como caminha. Para evitar isso, limite a motivação ao petisco, sem trazer um monte de brinquedos - o que funciona com crianças humanas, mas não com caninas.

O lugar errado
Imediatamente após o cão ameaçar fazer cocô ou xixi onde não deve, pegue-o no colo e leve-o ao banheiro e recompense-o logo que ele se aliviar. Procure estar atento para puni-lo imediatamente após ele usar algum local menos apropriado.

Note que eu disse e repeti "imediatamente", para o peludo entender a relação entre erro e castigo. O ideal é preferir recompensar o canino quando ele acertar a castigá-lo quando errar - e o dono só deve castigá-lo quando tiver absoluta certeza de que o bicho está maduro o suficiente para entender.

O castigo deve ser adequado, limitado a um "não!" ou algum som desagradável para o cão, deixando claro que você, líder da "matilha", não gostou do que ele fez. Espero que tenha acabado de vez o costume, tão popular em outras eras, de se esfregar o focinho do bicho no que ele acabou de fazer.

Sob comando
Uma alternativa é ensinar o cão a se aliviar sob comando, o que ajuda se, por exemplo, você precisar de amostras urgentes para exames veterinários ou quando vocês estiverem muito longe de casa e o bicho estiver inseguro quanto a onde se aliviar - afinal, você já o ensinou ele será punido se fizer cocô e xixi onde não pode, mas onde é que ele pode? - ou simplesmente se começar a chover justamente quando vocês estiverem em pleno passeio.

É simples: quando o canino estiver perto de um local que possa usar, dê-lhe o comando e recompense-o quando ele obedecer. Não é preciso usar palavras óbvias como "cocô!" ou "xixi!", mas o comando deve ser suficientemente diferente dos outros comandos.

Basta alguma paciência por parte do dono, pois este comando pode levar até uns três meses para ser totalmente assimilado - e, pensando bem, é melhor você passar três meses treinando seu peludo do que ele suportar as oito horas pelas quais um cão, em média, consegue segurar tudo.

Fora de casa
É mais fácil lidar com cães que fazem cocô na rua que com muitos humanos que ainda confundem sarjeta com lixeira. Para começar, não se deve acostumar o peludo a se aliviar somente na rua: além da sujeira resultante e nem sempre fácil de limpar, ele se habituaria a se aliviar somente quando saísse, ou seja, com acompanhamento de alguém humano.

Se vocês moram em apartamento, pode-se reservar um cantinho na garagem ou área de serviço, obviamente delimitado com jornal e sempre mantido limpo pelo dono. O ideal é sair com ele à rua logo após ele se aliviar.

Como dissemos, será útil se o cão for treinado para fazer as necessidades sob comando. Nunca se esqueça de levar pazinha ou, pelo menos, saquinho - afinal, pelo menos aqui em São Paulo, pipi-dogs são ainda mais raros que lixeiras.

...E por que o cão às vezes come cocô?
Lembremos também que, por mais que amemos nossos caninos, eles continuam sendo caninos e sem os mesmos parâmetros humanos de bom gosto. (Por sinal, nem vou discutir com quem gosta de escargots ou buchada de bode, e há certos alimentos humanos que nem os humanos deveriam comer.) Se alguns cães ingerem vômito ou cocô, o mais urgente é procurarmos saber o porquê. E pode haver vários porquês.

Um deles pode ser a falta de um "pai" ou "mãe" presente: muitas vezes alguém se esquece de repor a ração do canino e ele simplesmente se vira comendo o que encontra, ou ele se sente sozinho e quer chamar atenção. Ele pode também se servir das fezes de outros animais ao sentir pelo cheiro a presença de nutrientes (é claro que ele "sabe" disso por instinto) que sua própria ração pode não ter; vermes são outro fator que pode levar o cão a comer de tudo.

Há também cães que, se tiverem levado muita bronca por fazerem o número dois onde não devem, devoram o cocô para sumir com a "prova do crime" e escaparem de mais bronca. Motivo parecido pode levar um pai ou mãe canina a comer fezes ou vômito de seus filhotes, visando destruir provas da presença deles e assim protegê-los contra predadores. Enfim, descoberta a causa, bastará removê-la.

Enfim, o asseio é parte da posse responsável e da boa saúde e conforto do cão. Ninguém irá chamá-lo de "porcalhão" - mesmo porque o injustiçado porco só virou sinônimo de "sujo" pela convivência com donos pouco limpos! Por sinal, logo voltaremos a falar sobre higiene de nossos amigos peludos.

Cuidados de Higiene com os cães.

Não espere comentarem que seu cão mudou a cor do pelo ou que ele poderia ser xará do Fedido dos livros "Querido Diário Otário", para não falar no incômodo que a sujeira causa no próprio cão - e ele vai querer resolver do jeito que pode, se coçando, lambendo e mordendo, podendo até se machucar.

Asseio é mais um belo aspecto tanto de saúde quanto de posse responsável. Manter o canino limpo e feliz não é tão complicado, e nem é para ser uma tarefa chata para o bicho e o dono, muito pelo contrário.

A pele canina tem potencial de hidrogênio (o famoso "pH") menor que a humana e, portanto, menor acidez, necessitando de menos banhos que a humana. Quer você mesmo lave o canino ou o envie a uma pet shop para banho profissional, evite banhos em excesso, para não ressecar ou amolecer demais a pele do bicho. Pelo mais curto exige menos banhos; pelo longo bem escovado (bem escovado, ouviu?), idem, e cães ativos que saem mais de casa precisam mais que os sedentários. De modo geral, uma vez por mês é uma boa média, e para cães de pele mais grossa pode bastar um banho a cada quatro meses!

Preparo
Comece antes de começar. Explico: antes de começar o primeiro banho, acostume o cão com a ideia de que banho é coisa boa e prazerosa. Se é o primeiro banho do peludo, evite ir ligando o chuveiro logo de saída, para que ele não se assuste e passe a querer tudo menos banho.

Ah, sim, o local: este deve ter, de preferência, uma porta ou algo do tipo, para evitar que o cão fuja do banho ou espalhe água pela casa toda antes de ser bem enxugado. Ao escolher o local onde ele irá se banhar, leve petiscos e brinquedos de que ele gosta e o recompense por bom comportamento.

Muita gente transforma prazer em obrigação. Melhor transformar obrigação em prazer. Se o dia estiver quente, que tal uma ducha com mangueira (além de xampu etc., claro, conforme a listinha mais abaixo) no jardim, terraço ou quintal? Outro detalhe: seja no quintal ou no banheiro, a festa não vai ser só do cão. Vá preparado para se molhar também, especialmente se o peludo molhado der uma daquelas sacudidas bem caninas para se livrar da água.

Se o canino escorregar demais ou mostrar muito medo de entrar em box ou banheira, use um chuveirinho daqueles de mão e coloque um tapetinho de borracha ou toalha no chão da banheira ou do local. Se for cão dos bravos, talvez sejam necessárias focinheira e coleira para ele não resolver se vingar do banho com mordidas. Ah, a coleira: use de náilon ou metal, pois as de couro podem encolher. Se o peludinho é filhote, só deve tomar banho a partir da quinta semana de vida. Se for de pequeno porte, pode até tomar banho na pia - desde que não seja inquieto o suficiente para pular!

Antes de abrir a água, escove bem o pelo do bicho, para evitar que grumos de sujeira se combinem com a água e formem uma massa boa para entupir ralos - e nós dos pelos são bem mais fáceis de remover com o canino ainda seco. Escove também após enxugar o bicho. E enxugue o bicho bem enxuto, para evitar que ele se esfregue molhado em algum lugar e atraia sujeira de novo!

Se o cão tomou "banho" de tinta, piche ou algo assim, primeiro amoleça a "cobertura" com vaselina, óleo vegetal ou óleo mineral, na véspera do banho para valer - mas nada de solventes, detergente, alvejante e similares, que podem ser tóxicas para o bicho. Se usar banheira ou bacia, encha só até a altura dos joelhos do cão e na temperatura morna, não mais quente que o próprio bicho; ao terminar cada enxaguada, esvazie a água e encha de novo até os joelhos do peludo.

Material para o banho
Vamos recapitular: xampu (que merece um parágrafo só para ele daqui a pouco), algodão em bolas, esponja, toalhas, tapetinho de borracha ou pano, soro fisiológico (pode ser caseiro, feito com água e pouco sal), um canto seco no local do banho para enxugar o cão, pente, escova, escovinha para as unhas, pinça para remover "visitantes" como pulgas e carrapatos e tesoura para os nós mais górdios, e escova de dentes. Não esqueça os brinquedinhos e petiscos, para que o cão, bicho associativo por excelência, aprenda a encarar o banho como um prazer.

Aqui começa o já famoso parágrafo do xampu. Este deve ser especial para cães, pois, como já dissemos, o pH da pele humana é mais alto que o dos peludos, e produtos para humanos podem causar alergia ou irritação (em todos os sentidos) nos caninos. Leve o bicho ao veterinário para ver qual xampu é o ideal para ele. Na falta de xampu canino, use xampu infantil ou de ervas; xampu para adultos menos peludos só se for suave e em último caso. Agora, tem um detalhe que vale para humanos e também para cães: evite deixar cair xampu nos olhos do bicho, pois "xampu que não irrita os olhos" tem na verdade um componente anestésico que inibe a dor e pode irritar os olhos do mesmo jeito.

Se o peludo for realmente bastante peludo, um condicionador pode ajudar a desembaraçar o pelo. Após lavar, enxágue várias vezes, pois resíduos de xampu ou condicionador incomodam o cão, inclusive fazendo-o se coçar até ferir a pele.

Detalhes do banho
Se o canino estiver "hospedando" muitas pulgas, é bom começar a limpá-lo pelo rosto e orelhas, para evitar que as pulgas fujam e invadam as orelhas do "hospedeiro" durante a lavagem.

Lave os olhos e ouvidos do bicho com algodão umedecido em soro fisiológico, e o rosto com uma toalha úmida. Evite jogar água no rosto do canino, para evitar risco de que entre água nos ouvidos, o que pode causar infecções - e normalmente cães não gostam de levar água na cara. Durante o banho, tampe os ouvidos do peludo com algodão - mas evite pedaços muito pequenos que possam sumir canal auditivo adentro, e não se esqueça de tirar o algodão após o banho!

Já falamos aqui sobre óculos escuros para cães. Pois bem, se para você, mesmo não sendo fã de Raul Seixas, óculos escuros lembram colírio, lembre-se também de que colírio para humanos só pode ser usado nos caninos se for suave e em último caso. Nem pense em ir usando colírios mais fortes, indicados para problemas visuais mais graves como catarata. Na falta de colírio, limpe os olhos do bicho com soro fisiológico.

Nunca é demais dar uma limpada no bumbum do cão, desta vez produtos humanos vão bem, como aqueles lencinhos pré-umedecidos para bebês.

Após o banho e entre os banhos
Acabado o banho, enxugue o cão imediatamente. Um secador de cabelos será bem-vindo, desde que não ligado em temperatura quente demais e o aparelho não irrite ou assuste demais o bicho. Cumprimente-o se ele se comportar bem - mas é claro que ele vai, pois estará mais feliz, livre da sujeira.

Entre um banho molhado e outro, nada como "banhos secos" diários. O ideal é dar uma boa escovada diária no peludo, que funciona também como um carinho para ele e relaxamento para o escovador, que pode até "conversar" com o cão, exatamente como barbeiros e cabeleireiras fazem com clientes. Mais ideal ainda é fazer isso fora de casa ou com jornais sob o cão para recolher terra, poeira, pêlos soltos e o que mais aparecer.

Como se vê, manter o canino limpo e feliz não é muito complicado e pode e deve ser um prazer para o bicho e o dono. O sucesso de Rita Lee não é bem assim, mas, sendo ela mesma amante de animais, ela há de concordar:"Que tal teu cão/depois de um banho de espuma?/O peludo contente, sorridente/sem sujeira nenhuma..."

(P. S.: Se "peludo sorridente" te fez lembrar do "cachorro que me sorriu latindo" de Roberto Carlos, dê uma olhada na série sobre os 50 anos de sucesso do "Brasa".)Retirado do site do Yahoo.